Música, arte, entretenimento e uma dose de poesia. Aqui não tem segmento específico, é tudo muito pessoal. É que eu só quis dizer...
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Descoberta do mês: Ana Cañas

Tem saído nestes últimos anos uma nova safra de cantoras nacionais de segmentos muito específicos; Maria Gadú, agora ex-alternativa, já desvirginada pelo Faustão. Sílvia Machete, inovadora demais prum mercado engessado. Roberta Sá, com uma voz maravilhosa, mas novidade 0. E por aí vai.

Na época em que os cartazes do show da Ana Cañas no Canecão estavam por toda parte, tive um feeling em relação àquilo. Não conhecia uma música sequer do cd “Hein?”, mas parecia ser o tipo de show de que eu me arrependeria de não ter ido – como já aconteceu inúmeras vezes.

E realmente, foi o caso. Óbvio que aparecer em uma apresentação exclusiva do Prêmio Multishow cantando Raul Seixas junto do Arnaldo Antunes, e colecionar participações de Nando Reis em outros shows foram fatos que já acrescentaram muitos pontos gratuitos comigo. A minha reação ao ouvir o “Hein?” foi, mesmo assim, surpreendente.

Ela preenche um nicho muito óbvio da música (feminina) brasileira. É rock, mas não é Cássia Eller, é mpb, mas não é Maria Gadú. Tem a voz suave, mas não é nada de Maria Rita, Roberta Sá ou Silvia Machete. Ela é o Titãs de saia, #prontofalei.

As participações não são nadica humildes (Liminha, Arnaldo Antunes, Gilberto Gil), nota-se que tem aí uma boa credibilidade da parte de gente grande.

Ainda não ouvi o Amor e Caos, cd anterior, mas sem dúvida é um convite ainda atraente, me baseando com a primeira experiência com o “Hein?”.

Aguardo ansiosamente a sua próxima apresentação no Rio – que, segundo a agenda do site, não será nem tão cedo – pra variar comigo, né, rs.

Pra ouvir uma faixa que eu gostei muito: Ana Cañas - Na Multidão

Observação importante: Sou uma fã louca-desnorteada da Maria Rita. Já fui em 3 shows da Maria Gadú e iria em outro hoje, se pudesse. O trabalho da Sílvia Machete no palco é um dos mais impressionantes que já vi na vida, não comparo com mais nada – merece, inclusive, um post exclusivo pra isso. Roberta Sá tem uma voz super agradável e merece todo o mérito de cantar o que canta. Faço aqui uma comparação de produtos em um mercado que antes era tão repetitivo, e hoje começa a ter diversificações muito interessantes.

E viva as produções culturais inovadoras. =)

Coldplay no Brasil

Existe hoje em dia um certo preconceito em relação à shows megalomaníacos. Confesso que, apesar de apreciar grande parte do trabalho da banda Coldplay, fui com uma certa censura em relação às apresentações. Sem dúvida muitos artistas internacionais se escondem atrás de grandes produções e deixam a característica principal do show – voz, integração com o público, vontade – de lado.

Não foi o caso do Coldplay. Pela quantidade de pessoas na Apoteose em um domingo chuvoso, cerca de 30 mil,  já se via que o evento não seria prejudicado. Abrindo o show com Life in Technicolor, os músicos já abraçaram o público com empatia e presença. A chuva de borboletas em Lovers in Japan também foi algo surreal. Além de beleza, o trabalho do Coldplay usa muitas referências culturais. Isso é o que mais me impressiona e o que mais falta em artistas atuais: conhecimento. Em um filme  recente que faz menção à história japonesa “Memórias de uma Gueixa”, vemos que há uma semelhança muito grande nestes tipos de apresentações.


Cena: "A dança de Sayuri"




Show no Rio de Janeiro - 28/02/2010



Vi ali muita vontade de fazer acontecer, coisa que fez a diferença alinhada ao conceito do cd trabalhado, o Viva La Vida.  Este álbum traz influências não só na concepção das músicas (remetendo à idéia de luta, guerra, liberdade) mas também em todo lado estético.

Desde a capa do cd, com a pintura de Delacroix, “A liberdade guiando o povo”, até o figurino da banda e efeitos especiais. Fogos de artifício, iluminação impecável, palcos extras e até bolas amarelas em Yellow.

Tudo isto saiu de simples inovações para uma experiência artística viva.

 E o coro de fãs não deixou dúvida. Todos estavam nesta mesma sintonia.

Da série Who's the evil twin...

Chiuaua...



Ou Martinália?

Tinted Windows

A Tinted Windows foi formada no final do ano passado, banda composta por James Iha (Smashing Pumpkins e A Perfect Circle), Adam Schlesinger (Fountains of Wayne e Ivy) e Bun E. Carlos (Cheap Trick) e... Taylor Hanson! Isso mesmo. Colocando qualquer papo fã de lado, queria fazer algumas observações.





A música em si é boazinha (hahaha ÓTIMA definição para quase fraca) mas não chega a dar vontade de parar, não. Falta atitude no vocalista. Sei que ele não está acostumado a se resumir a um microfone, e essa é uma tarefa muito mais difícil, pois demanda postura.

Sem contar que eles parecem meio velhinhos pra cantar esse tipo de música, mas bem, isso já parte de um preconceito meu.

Esse visual retrô lembra o Last Night, dos Strokes. Acho que breguice está na moda, mesmo. Mas tudo bem, dá um "quê" estiloso.

No geral, simpatizei sim. Que venham os próximos singles!! Eles estão sendo bem avaliados pela Rolling Stone e por vários outros sites sobre música.A primeira música de trabalho foi "Kind of a girl". Também legal, mas meio chicletona demais. Preferi a "Messing with my head" mesmo.

Vejamos o que vem por aí do Tinted Windows.. Zac e Isaac devem estar aproveitando o tempo para cuidar das crianças (4 ou 5 ao todo, não lembro).

Coisas toscas para se pensar...

Acho que releituras podem ser muito criativas, mas nem sempre são válidas. Como se não bastasse o Rei, Celso Fonseca foi atrás na maior cara-dura-intelectual.



Pode ser implicância minha, mas vocês gostaram disso??

Oh, my, god!!!!!!!!!!!

A questão é: quem é a evil twin afinal?



Janice Litman (Friends)

ou



Amy Winehouse?

All the single ladies!

Começo meu post de dia das mulheres já avisando que me rendi. A música é uma total institucionalização da relação amorosa via bens materiais. Mas a dança é hipnotizante. Não há como negar que Beyoncé, assim como Jennifer Lopes, é uma artista de mil e uma utilidades. Knowles disse que a gravação do clipe foi contínua, e que um erro a obrigaria a começar tudo de novo. O tempo de gravação foi de 12 horas.Além disso o refrão é grudento (como quase toda música de trabalho dela) e se você começa a cantar às 8h da manhã, pode ter certeza que às 8h da noite ainda estará fazendo aquele trequinho fat family com a cabeça.

So, put a ring on it, god damn it!




E se você quiser ir mais longe do que o "trequinho" com a cabeça (porque tem gente que leva à sério né...)




E é óbvio que Justin Timberlake, grande produtor, observador de tendências e dançarino realizou a tarefa com destreza.




Sticky soooong!

Stand by me

Descoberta desta semana!!

A volta ao mundo pela música de artistas de rua.

Alanis Morissete no Rio - 04/02/2009

A partir da segunda semana de Janeiro começava a minha saga; Alanis voltaria ao Rio. Como a maioria dos fãs, ex-adolescentes sentimentais (e atualmente adultos sentimentais), corri para a bilheteria do HSBC Arena para não pagar a taxa de (in) conveniência e conseguir o melhor lugar possível. Este show foi sem dúvida, um programa de fã: em uma noite de quarta-feira, chuvosa e cheia de trânsito. Uma verdadeira odisséia chegar no lugar e respirar aliviado. Mas como todos imaginávamos, compensou. A banda entra com a tradicional “Uninvited”, música que na minha opinião, nunca deixará a setlist. Algumas composições da Alanis tocam em um lado tão pessoal de cada um que, em músicas como essa, o estado da platéia é quase em transe religioso. Algo meio louco – mas bonito de se ver.



A banda (todos homens) estava “estilosa” e completamente nesse clima. A tela no fundo do palco era uma pintura bem subjetiva, repetindo o tipo de cenário do show no então Claro Hall, em 2004. Tudo bastante simples. Tive a impressão que no sentindo de produção, não foi um show caro no final das contas - o que me fez pensar no custo oneroso do ingresso, mas meu sangue de fã (e de barata) fez questão de me fazer desconsiderar esses fatos. Eu cheguei a ler antes do show que a aposta seria nas músicas mais antigas. E realmente, eles usaram e abusaram do Jagged Little Pill, o que deu uma dinâmica interessante para as apresentações.



Geralmente durante músicas novas o público fica um pouco menos animado, então fazer essa intercalação segurou bem o ritmo do show. Músicas tradicionais como Oughta Know, por exemplo, foram berradas pelo público, do início ao fim. O clima foi bom, e de certa forma nostálgico. O público se “revisitava” de alguma maneira. Alanis abusou do Jagged Little Pill, mas deixou de lado quase que completamente o Under Rug Swept e o So Called Chaos. Para não dizer que não falou das flores, tocou Flinch (do primeiro) e Everything (do segundo). Nesse ponto achei que poderiam ter dividido melhor. A própria Alanis foi muito agradável, espontânea como sempre. Fez até graça, adaptando um trecho de “Head Over Feet” para “you’re the best listeners that I’ve ever met”.



Deu vários “obrigados” com uma boa pronúncia (que muitos artistas estrangeiros não têm e nem se interessam em ter) e dedicou “Everything” a todos os emotional freaks, como ela. Pediu ainda que eles levantassem a mão, e lá estava todo o HSBC Arena com os braços pra cima. Ela definitivamente conhece o público para quem está tocando. Esta é a verdadeira raridade de shows como esse. As pessoas dividem sentimentos, entram em um tipo de comunhão musical-sentimental. Confesso que em emoções triviais como a de uma apresentação, costumo não me mobilizar muito. Mas confesso também que em “Thank you” o frio na barriga me veio fulminante e a garganta engoliu seco. É por isso que no final das contas, a gente gasta uma grana, sai do trabalho correndo, corre na chuva pra chegar à tempo, mas ainda sim vale a pena. Definitivamente, eu, Alanis, e aquelas outras 14.999 pessoas tínhamos algo em comum naquela noite.

A descoberta do dia

Não só de mais um viral, mas também de uma música muito lisongeante e de um show de arte técnica (stopmotion). E um show de arte à parte também. O cantor se chama Oren Lavi (é, prazer, Rany). Depois de pesquisar um pouco por aí, vi que eu devo ser a milésima blogueira a "publicar" este video, mas I don't care, hey ho, let's go. Segue a letrinha abaixo do vídeo, pra quando vc quiser vê-lo de novo (o que provavelmente acontecerá), degustar com mais envolvimento.



Sun been down for days
A pretty flower in a vase
A slipper by the fireplace
A cello lying in its case
Soon she’s down the stairs
Her morning elegance she wears
The sound of water makes her dream
Awoken by a cloud of steam
She pours a daydream in a cup
A spoon of sugar sweetens up
And she fights for her life as she puts on her coat
And she fights for her life on the train
She looks at the rain as it pours
And she fights for her life as she goes in a store with a thought she has caughtby a thread
she pays for the bread and she goes…
Nobody knows
Sun been down for days
A winter melody she plays
The thunder makes her contemplate
She hears a noise behind the gate
Perhaps a letter with a dove
Perhaps a stranger she could love
And she fights for her lifeas she puts on her coat
And she fights for her life on the train
She looks at the rainas it pours
And she fights for her life as she goes in a store with a thought she has caughtby a thread
she pays for the bread and she goes…
Nobody knows
And she fights for her life as she puts on her coat
And she fights for her life on the train
She looks at the rain as it pours
And she fights for her life as she goes in a store where the people are pleasantly strange and counting the change as she goes…
Nobody knows

_________________________________________

É claro que eu, como uma boa mulher, já me prontifiquei de baixar a música e colocá-la em meu Ipod, para que nas próximas semanas eu possa ouvi-la pra lá e pra cá e pensar em como esta é a trilha sonora da minha vida.

Claro que a música é uma romantizada danada, mas é exatamente aquilo que a gente quer ouvir. Digamos que seja um sério reconhecimento do que a gente tenta ser.

E Viva la Vida!

É até oportuno já largar por aqui um post sobre o Coldplay, banda que em algumas semanas estará fazendo shows pelo Brasil. Lá pelas tantas, zapeando na Multishow, passei pelo clipe de Viva La vida e wow!

A letra da música em si já é uma volta ao mundo. E passa por campos de batalha, por Jerusalém e o caramba a quatro, só faltou falar do Sadam. Óbvio que, se a letra já demonstra o tamanho da viagem, o clipe não poderia ser diferente. O vocalista, Chris Martin, como sempre, creepy. Em vídeos com close então, dá mais medo ainda. Ainda não consigo ver The Scientist sem ter arrepios. rs

Brincadeiras à parte, a qualidade dos efeitos é impecável. Toda a temática histórica de campos de batalha etc está amarrada com o visual. Os efeitos de pintura à óleo envelhecida e a própria iluminação que joga com sombra e luz remetem ao barroco, característico deste período específico que faz parte da proposta. Algumas partes do clipe fazem, inclusive, referência ao quadro "A Liberdade Guiando o Povo", de Delacroix (abaixo).

O CD inteiro carrega uma coerência com esta temática, o que "amarra" muito bem a proposta da banda. A faixa Viva la Vida não é nada mais do que uma analogia sobre as revoluções que fazemos em nossas próprias vidas.

"Revolutionaries wait for my head on a silver plate // Just a puppet on a lonely string // Oh who would ever want to be king?"


O jeito é esperar os shows no Brasil para conferir toda esta arte de perto. =)

"Me ensina a não andar com os pés no chão..."

O Divino Maravihoso
Gal Costa - 29/06/2005

Naquela época convivia com todo o ambiente tropicalista. Só falávamos dos movimentos novos que surgiam no mundo. Gil ouvia Hendrix o dia inteiro. Janis Joplin não saia da minha cabeça. Aquele som, aquele rasgo de voz foi me tomando de uma forma que criou em mim uma necessidade de fazer alguma coisa diferente do que eu acreditava, de tudo o que já fizera e de como eu entendia a música até então. Eu era muito radical, gostava de pouquíssima coisa. João era meu ídolo e nada, quase nada passava pela minha peneira. Não gostava de iê iê iê, nem da jovem guarda, de nada. Precisava fazer alguma coisa para me expressar, botar pra fora o que eu sentia, com força, atitude, e que, falando francamente, chamasse a atenção sobre mim.

Gil e Caetano, envolveram-se de corpo e alma com essas novas experiências da música popular brasileira. E dentre essas pesquisas me deparei com Divino Maravilhoso, uma canção que mexeu comigo. Caetano convidou-me para cantá-la no Festival da Record e Gil se propôs fazer o arranjo. Ele foi tão perspicaz que me perguntou como é que eu queria cantá-la. Expliquei que queria cantar de uma forma nova, explosiva, de uma outra maneira. Queria mostrar uma outra mulher que há em mim. Uma outra Gal além daquela que cantava quietinha num banquinho a bossa nova. Queria cantar explosivamente. Para fora. Gil fez então o arranjo para o Divino Maravilhoso.

Quando Caetano me viu pisar o palco cheia de penduricalhos e espelhinhos pendurados no meu pescoço, aquela cabeleira afro armada por Dedé, quase morreu de susto.Ele não sabia de nada. Não tinha escutado o arranjo do Gil, nada, nada. Cantei com toda a fúria e força que haviam em mim. Metade da platéia se levantou para vaiar. A outra metade aplaudiu ferozmente. Um homem na minha frente berrava insultos. Foi então que me veio ainda uma força maior que me atirou contra ele. Cantava diretamente para ele: É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte! Cantava com tanta força e tanta violência que o homenzinho foi se aquietando, se encolhendo, e sumiu dentro de si mesmo. Foi a primeira vez que senti o que era dominar uma platéia. E uma platéia enfurecida. Naquele tempo de polarização política, a música era a única forma de expressão. Despertava paixões, verdadeiras guerras. Saí do Divino Maravilhoso fortalecida, crescida. Acho que naquela noite entrei no palco adolescente, menina, e saí mulher. Sofrida, arrebentada, mas vitoriosa.


Fonte



Fiquei arrepiada! Admiro muito pessoas que procuram por si mesmas e que se explodem, como Björk cantou em Pluto. Invejo-as, e como! Como é difícil ser você mesmo num mundo onde as pessoas se exigem demais. Talvez por se exigirem tanto, sempre se decepcionam porque ninguém nunca será perfeito.

Responder positivamente às expectativas alheias é um fardo muito pesado. Ser a pessoa dos sonhos dos outros... como se vivêssemos num conto de fadas!

Minha primeira sobrinha nasceu no dia 21/08/2008 e eu estou muito feliz por isso! Torço muito para que meu irmão consiga ser um pai melhor do que o que tivemos (e olha que isso será dificílimo!) e que a esposa dele consiga ser melhor e não repetir os mesmos erros que cometeu na primeira maternidade.

Não quero cobrar nada da minha sobrinha. O que mais desejo a ela é liberdade! Sair do ventre já é um bom começo! Quero que ela experimente a vida sem medo, que ela se exploda, que ela faça a diferença, que ela seja sempre o que quiser e jamais se esconda porque tudo que é verdadeiro é lindo!

Dedico essa música à Beatriz!

Gal Costa - Divino, maravilhoso
Caetano Veloso e Gilberto Gil

"Atenção
Ao dobrar uma esquina
Uma alegria
Atenção, menina
Você vem?
Quantos anos você tem?

Atenção
Precisa ter olhos firmes
Pra este sol
Para esta escuridão

Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino, maravilhoso
Atenção para o refrão:
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte

Atenção
Para a estrofe, pro refrão
Pro palavrão
Para a palavra de ordem
Atenção
Para o samba-exaltação

Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino, maravilhoso
Atenção para o refrão:
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte

Atenção
Para as janelas no alto
Atenção
Ao pisar o asfalto, o mangue
Atenção
Para o sangue sobre o chão

É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte"

Seja bem vinda ao mundo, Bia! Ele não é do jeito que você merece, mas cresça com olhos bonitos para vê-lo melhor! Eu já amo você! Sempre te amei...

Fechando o ano com Maria Rita


Fundição progresso - 19/12/2008
E finalmente sacramentei a promessa que fiz a mim mesma em Outubro do ano passado, quando ganhei o cd Samba Meu; fui a mais um show da Maria Rita, para ver ao vivo o trabalho bem feito que – bem “tietemente”- tenho acompanhado pelas notícias e novas músicas de trabalho.

Fui com toda a disposição do mundo, pois além da garantia de um bom show – que eu já tinha conferido pelo DVD, obrigada Leo!- me avisaram que a Fundição não era lá uma casa de se esperar pontualidade. Sabe como é, está todo mundo no clima, sexta feira, Lapa, samba... ia tudo no bunda-lelê.

Pra minha surpresa, a carga de paciência do povo em relação à isso não foi o bastante... a casa já lotada teve que agüentar duas horas e meia de atraso (mais que a Madonna!!!) e o povo já começava a descer o nível vaiando, xingando, virando cambalhota, etc. (só não chegando ao “piranha” da Madonna, graças à Deus).

O atraso de qualquer forma ia acontecer, mas foi a chuva que dificultou tudo; o tapete de borracha anti-derrapante do palco ficou todo molhado, e a equipe teve que se virar para tentar secá-lo. Acabou que tiraram o tapete mesmo, e “vamo que vamo”.

E apesar de todos os incômodos e do cansaço das pessoas, Maria Rita entrou da mesma forma em que vi nos shows anteriores. Ainda sem aparecer no palco, canta o início de Samba Meu, fazendo com que a sua entrada seja extremamente aplaudida e bem vinda por uma Fundição cheia, de ingressos esgotados. A cantora fez questão de se retratar e explicar as dificuldades da equipe, comparando o seu “possível tombo” com um dos tantos que Madonna teve no palco. “Mas a Madonna levanta com classe, né, gente” – brinca.

O show corre com toda a simpatia que a intepretação da cantora poderia passar. A descontração com a banda também é evidente, e o público mais fã das primeiras filas pula extasiado. A cenografia e iluminação – características marcantes dos shows da cantora – mostraram mais uma vez sua bela coordenação de excelência, e produções aparentemente simples.

Não gosto desse papo de comparar Elis-Maria Rita, e daria pra fazer um post só falando das inúmeras diferenças entre as duas artistas. Dedico esse parágrafo abaixo mais para dar exemplo de novos rumos culturais que me orgulho de ver surgindo. E NUNCA pra cair no sensacionalismo de puxar esse assunto que, para a mídia em geral, não acaba nunca - Maria Rita muito irritada com essa história que o diga.
Sempre achei interessante observar o comportamento das pessoas depois que ela decidiu trocar o verso “minha mãe é Maria Ninguém”, da música Pagu, pelo verso “minha mãe é Maria Alguém”. Nos shows que fui anteriormente o público era um pouco mais velho, então era compreensível ouvir palmas e assovios nessa hora. Mas ver tantos jovens aclamando essa parte da música ontem, me indicou que realmente a música popular brasileira está retomando o gosto por arte que a própria Elis tanto passava. Os grandes cantores e compositores brasileiros estão sendo mais valorizados e a música volta a ser não somente um produto de entretenimento, mas também de expressão cultural bem trabalhada.

Não estavam no repertório “Santa Chuva” e “Casa Pré-Fabricada” – ambas escritas por Marcelo Camelo – músicas tão aclamadas e esperadas nos shows de cds anteriores. Mas como era um show de samba, deixei meu lado fã pra lá e aceitei a coerência do evento. ^^

Ela filmou o público enquanto cantava “Não deixe o Samba morrer”, provavelmente se esse vídeo for pra algum lugar, lá estarei eu, na segunda fila, atrás de uma senhora chata que não sabia cantar absolutamente NADA – ai que raiva... ¬¬

Por fim, Maria Rita nos deseja um feliz natal, e fala com todas as letras que o público é “FODA”! A noite foi boa mesmo, e sem qualquer sombra de dúvida, valeu o palavrão. =)

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